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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Incompetência conveniente


Esses dias meu banco quase me roubou 70 reais, e ainda quer me roubar 70 reais todos os anos. Esses dias uma loja na internet quase me roubou, e ainda arrisca roubar, 185 reais.

O problema do banco foi uma (conveniente e levemente deliberada?) falha de comunicação. A gerente me ofereceu um cartão sem anuidade. Caiu a anuidade. A moça do telefone me disse que o banco não oferece cartões sem anuidade. Começa o ping-pong. Liga para a gerente. Liga para a Rosicleidinéia. Liga para a gerente. Liga para a Meirielena, porque a Rosicleidinéia já sumiu...

Meu chefe me diz que essas coisas acontecem o tempo todo, e tenho que desencanar. Paga logo, 70 reais por ano, o que são 70 reais por ano? É ou isso ou ficar menos conveniente comprar pela internet, viajar para o exterior, parcelar compras, etc... e eu já pensando em fazer um cartão pagando mesmo, então não fez diferença. A promessa do cartão sem anuidade foi só uma "apressadinha". E olha só que exercício de tolerância e adaptabilidade zen para você que é todo espiritual...

Mas é isso que eu não consigo aceitar. O fato do segundo maior banco do Brasil usar desse truquezinho de moleque malcriado, e depois correr para se esconder atrás das saias das Rosicleidinéias e Meirielenas, me deixa muito, muito puto. É simbólico do enraizamento da cultura do malandro em tudo que se faz nesse país (oh não, mais um post "que país é esse"!!!). Não é nem um símbolo decente, porque um símbolo é sutil e necessita interpretação. Não. Este símbolo é escancarado, deliberado, esculachado, berrante, espaçoso.

Espaçoso. Quase igual essas gangues de analistinhas fdps que ficam andando na Faria Lima ocupando a calçada inteira, de camisa social aberta mostrando o peitinho estufado, e sem se mexer um cm para deixar as pessoas passarem. Exatamente igual, de fato muitos caras assim com certeza trabalham na porra do banco. A camisa social para falar que é chique. O peitinho estufado para falar que é confiante e moderno. E a completa falta de educação, consideração pelas pessoas e senso estético dão o tom geral da qualidade do serviço.

Escancarado, deliberado, esculachado, berrante. Quase igual às demonstrações de impressionante estupidez  e falta de bom senso que chovem no meu Facebook todos os dias.

É um sinal dos tempos. Tudo é tão conectado e alinhado em torno da incompetência conveniente que me dá desespero.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um BOM chocolate


Estou com vontade de tomar um bom chocolate. Mas um bom chocolate de verdade. Digo isso porque mesmo em certas casas caras por aí das últimas vezes que eu pedi chocolate esperando ser surpreendido (expectativas do tipo: será que vem uma barra de chocolate derretida?) veio leite com Nescau, ou algo muito parecido com isso. Daí não dá né? R$ 5 pra tomar uma xicrinha de Nescau é demais... ainda mais com leite desnatado...

Aí eu olho minhas opções: caixinha de Toddynho é uma boa opção. Mas ultimamente tenho a impressão que eles põem alguma porcaria lá no meio para engrossar o leite disfarçar que aquilo não é água com açúcar. E aí sempre que eu tomo Toddynho depois do terceiro gole eu já não sinto mais nada do gosto que deveria ter.

Isso praticamente esgota minhas possibilidades de tomar chocolate fora de casa. Em casa, as opções são bem melhores: a primeira é comprar leite integral fresco na padaria e uma lata de Nescau. E bater. Se não bater não fica bom. Essa é uma boa opção, prática, rápida e satisfatória. A outra opção, um pouco melhor e mais trabalhosa, é fazer com chocolate em pó e açúcar. Também é uma boa opção, mas tenho bode de chocolate em pó porque sempre faço sujeira com aquilo... A última opção é o bom o velho submarino... mas aí precisa por o leite no fogo, então dá bem mais trabalho e eu tenho preguiça!

Isso é uma coisa foda, acho que posso dizer, da cultura e economia brasileira. Porque o empresário brasileiro está constantemente sufocado por regulações, impostos, concorrência e diversas outras pressões de custo, e também porque o consumidor brasileiro olha muito mais preço e ainda não foi "educado" para apreciar diferenças de qualidade, parte da pressão de custo é repassada via qualidade em vez de  via preço. E com isso simplesmente não posso tomar um bom chocolate se não for em casa e tendo um liquidificador e um fogão disponível! Revoltante!

Devia ter uma opção nas lanchonetes/cafés por aí: no meio de todos os itens de R$ 7 para baixo, itens com nomes "Chocolate realmente BOM", ou "Cappuccino de VERDADE", com preços de R$ 11 para cima, que seja... e na descrição deles, algo como "satisfação de verdade, chega de surpresas como pó de chocolate empapado no meio da sua bebida, nada de leite longa vida desnatado amanhecido, nada de colocar espuma até metade do copo para disfarçar que não vem nada no seu pedido mesmo..."

segunda-feira, 12 de março de 2012

Direitos e......

Pelo mundo inteiro falamos de direitos. Direitos humanos, direito do consumidor, tal recurso é seu direito, direito dos criminosos, e por aí vai. Até aí tudo bem. Tudo ótimo.

Mas...

Acho que a última vez que eu ouvi falar em deveres foi na aula extra-curricular de cidadania que tive na quarta-série do ensino fundamental.

Chega de enxergar a vida só pelo lado fácil...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O politicamente correto é uma merda?


Há que se colocar as coisas no lugar aqui.
Sim, existem pessoas hipócritas. Sim, existem pessoas que usarão normas do politicamente correto para esconder suas próprias falhas e simplismos. Sim, existem pessoas que usarão o politicamente correto de modo automático e infundado. Sim, existem pessoas que o usarão para manipular pessoas e conseguir o que querem.

Mas uma coisa é as pessoas tentarem não ofender umas as outras. Outra coisa é como pessoas fracas, simplistas, maniqueístas desvirtuam essa tentativa. Daí já sair por aí fazendo o que bem entende, sem respeitar as opções e modo de vida dos outros, usando a desculpa de que o politicamente correto é uma merda, isso é ser tão fraco, simplista e maniqueísta quanto essas pessoas politicamente corretas que são consideradas tão chatas.

O politicamente correto só é uma merda no momento em que se percebe que mais importante que separar certo de errado é achar o que funciona e o que é realmente importante para cada um e para o conjunto social. Mas sob este prisma também o ataque ao politicamente correto perde fundamento.

No fim nada supera o bom senso e a vontade de ser melhor que si mesmo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Azar ou simplesmente burrice?

Sabe quando você pensa que algo vai dar errado e dá?

Pois é, quando isso acontece, como normalmente reagimos? Eu não sei se posso afirmar categoricamente isso, mas eu particularmente - e praticamente todos que eu conheço - costumo me achar "zicado". Fato de que eu SOU azarado, muitas coisas bizarras e imprevisíveis parecem acontecer com mais frequência na minha vida do que na dos outros.

Mas quando o perigo pode ser avaliado e medido e mesmo assim optamos por ir contra todos os sinais, contra a probabilidade das coisas, ainda sim é azar? Se algo é passível de acontecer com qualquer um de nós, com a mesma probabilidade e não acontece com o seu vizinho ou seu colega de trabalho, mas acontece com você, isso é sorte (deles), azar (seu), uma fatalidade ou simplesmente burrice?

Concordo que vivemos em um mundo onde "sair de casa" já é algo relativamente perigoso. Se você vai a pé, pode ser assaltado no ônibus ou em qualquer momento em que estiver andando. De carro não muda muita coisa - ou você é assaltado dentro dele, ou te furtam quando você resolver deixar ele estacionado na rua.

Concordo também que viver pensando que isso tudo VAI acontecer não é produtivo. Primeiro porque alimentamos um medo desnecessário de viver (que abordei superficialmente no post anterior). Depois porque realmente não é algo que podemos prever ou controlar, logo, é uma perda de tempo ficar pensando nisso. Então por motivos práticos, acabamos nos programando mentalmente para aceitar essas fatalidades (eu diria, essas merdas) pra podermos seguir com nossas vidinhas.

Mas por exemplo, se você fosse uma mulher bonita, com um belo corpo e saisse com uma roupa EXTREMAMENTE chamativa, com um decote avantajado, uma saia extremamente curta, de salto alto, toda maquiada, perfumada, realmente vistosa e sensual e resolve caminhar sozinha às 2h da manhã por uma região onde notoriamente há pessoas bêbadas e/ou drogadas e tipos suspeitos, o que você acha que aconteceria? Ser violentada seria apenas uma questão de azar? Esse é um exemplo simplório, polêmico e apelativo sim, mas é para ilustrar como normalmente costumamos atribuir as desgraças que acontecem conosco a fatores externos, incontroláveis.

[Que fique claro que eu não defendo qualquer ato COVARDE de violência gratuita contra qualquer ser humano (mulher, homem, gay, idoso, mendigo, criança, etc). Tampouco estou defendendo que violência sexual seja justificável. Não é. A questão aqui não é o estupro, por isso não vou discutir sobre isso agora - daria um post inteiro e até mais.]

Peguei um caso simplista, absurdo e hipotético, justamente por ser também o cenário normalmente imaginado quando se menciona a palavra "estupro". A escolha desse exemplo foi para ilustrar as nuances entre RESPONSABILIDADE E CULPA. Em Direito, o termo "culpa" é sinônimo de responsabilidade. Responsabilidade por um ato, fato, atitude que tenha resultado em um desfecho que pressuponha dano ou prejuízo material ou moral. Ou seja, um médico que pratica uma cirurgia, comete um erro e o paciente venha a sofrer danos irreversíveis ou a morte é CULPADO. Um motorista de ônibus que atropela um ciclista é CULPADO. A culpa no campo jurídico nada implica em INTENÇÃO ou má-fé, mas sim a atribuição da responsabilidade.

Inclusive, para quem nunca parou para pensar a respeito, responsabilidade não signfica mais do que "responder por algo". Responsabilidade está ligado à "obrigação" que alguém carrega de responder por algo ou alguém. Quantas vezes não ouvimos "Quem é o responsável desta área?", em acordo com "Quem é o encarregado?". A responsabilidade então assume um caráter de "fardo", de "obrigação" e por que não dizer, até de "zelo"? A culpa por outro lado, já assume um caráter NEGATIVO da responsabilidade (ou não responsabilidade, negligência), quase como se implicasse na incapacidade do responsável de executar suas incubências da forma adequada/esperada/prevista/"correta". O médico faz um juramento e sabe que é responsável pela vida de seus pacientes - sabe que um "erro" não implica apenas em uma punição formal, seu emprego ou sua reputação, mas a vida de um ser humano. Se seu paciente morre por um erro seu, ele falhou com sua responsabilidade - executou mal aquilo que lhe era exigido. A culpa sempre está ligada a um desfecho indesejado, um desvio, um erro, uma fatalidade. Por isso culpa também é o sentimento de remorso, dor e arrependimento ligados à noção de responsabilidade que um tem sobre determinado evento. Quando "algo ruim" acontece, de um vaso quebrado dentro de casa a um relatório impreciso dentro de uma emprea, quantas vezes tentamos achar o "culpado"?

Voltando ao exemplo do estupro, por mais que seja um absurdo imaginar que uma situação dessas seja verdade, já ouvimos casos de juízes preterindo vereditos em que a vítima foi acusada de ser culpada pelo ato, pois "provocou" o agressor estando vestida de tal forma. Sem entrar nas discussões morais (e sem me chamar de machista, por favor), devemos levar em conta que nada é "isolado". Temos que levar em conta o contexto, o cenário, a realidade. No exemplo hipotético que citei, por mais ridículo e absurdo que seja, alguém consegue imaginar que um estupro NÃO aconteceria? Ou então, mesmo sem justificar o ato, não é fácil racionalizar e pensar "bom, também ela quase pediu por isso né?". Como quando vemos um domador de leões - ou de jacarés, se faz alguma diferença - sendo mordido pela fera. Então nesse caso específico que citei, embora a vítima não "desejasse" ser violentada, ela estava ciente dos perigos de sair trajada de tal forma em tal região. Por mais que estupro seja um crime, por mais que a culpa seja do agressor, devemos facilitar ou criar oportunidades para que isso aconteça? Se você está ciente dos perigos e riscos e mesmo assim resolve ir contra "o bom senso" e se arriscar, por mais que a CULPA seja de quem comete o crime, você não tem responsabilidade também por ter "facilitado"?

Outro exemplo: o Canadá é bastante conhecido pela baixa criminalidade a ponto de em várias cidades as pessoas não terem o hábito de trancarem as portas de suas casas. Isso para nós que vivemos no Brasil é quase absurdo, mas a realidade lá é essa. Não significa que se você deixar a porta aberta e um ladrão entrar e roubar metade das suas coisas, a culpa será sua. Mas se você fizer isso aqui e for roubado, aposto que 90% das pessoas que soubessem do fato iriam acham que sim, você foi "em parte" responsável pelo próprio roubo - e possivelmente você é um idiota.

Aí eu finalmente chego onde queria chegar: o quanto nos abstemos de nossas "culpas" o tempo inteiro. Sempre que acontece uma "cagada", normalmente soltamos (ou ouvimos) um "Ah, mas eu não sabia!". Balela. Não sabia o cac*te. Talvez você não soubesse de todos os riscos envolvidos, mas você PENSA, não pensa? Consegue somar 1+1? Consegue ler, observar, ouvir o que os outros dizem? O fato de você não saber especificidades ou detalhes não implica que você não possa SE INFORMAR. E não implica que você tenha o direito de errar simplesmente por não saber. Errar por omissão ou falta de conhecimento não descaracteriza o erro.

O problema é que acabamos transferindo essa atitude de "não é comigo" ou "a culpa não é minha" para tudo em nossas vidas. A culpa (ou parte dela) é sua sim, cara!!! Você namora há mais de dois anos com a mesma pessoa e sabe que ela é "desligada", distraída e meio "aérea". Porra, como você vai reclamar que ele(a) vai sair pra tomar um chopp com os amigos e esqueceu que no final de semana vocês tinham combinado de ir naquela festa super-chata daquela sua amiga que ele(a) viu uma vez e nem lembra o nome? Por favor né?

Ou então você pára seu carro na rua em uma região que rola muito furto, sabendo que a merda do modelo que você tem ainda por cima é MUITO fácil de roubar e consequentemente, muito visado pelos criminosos e depois vai ficar choramingando porque levaram seu rádio e seu estepe?

Sabe aquele seu amigo que SEMPRE se atrasa? O cara é enrolado e demora no mínimo duas horas pra sair de casa depois do horário combinado. Como você ainda fica puto quando você marca uma coisa e ele chega 3 horas depois?

Nós nos acostumamos demais a achar que o problema são sempre "os outros" ou "as coisas". Nunca somos nós. Não é porque eu fui imprudente que meu carro foi roubado, foi puro "azar". Não, minha namorada não terminou comigo porque além de vagabundo eu sou insensível e não presto atenção nela, não, a gente terminou porque não rolava mais "química" entre nós. Não, aquela entrevista de emprego não deu em nada porque aquela entrevistadora era uma idiota que só falava besteira, e, pensando bem, eu nem precisava daquele emprego. O fato de eu sempre quebrar a cara com as mesmas pessoas é puro azar. As vezes bate de estarmos de mau humor ao mesmo tempo, sei lá. Deve ser alguma coisa dos astros e tal. É coisa do acaso... Não, porra! É burrice, burrice de errar constantemente e insistir nos mesmos erros!

Antes eu pensava "como sou azarado". Depois passei a perceber que "a culpa é  minha". Hoje sei que "eu sou mesmo é burro pra caralho".

Cagada demais na vida é burrice e nada mais...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Death is the road to awe

This post will be in English. The reason? I feel like it...

So theses days I've been thinking a lot about life and death. Both in lyrical and literal ways.

What does "life" means? What "death" represents?

In our hyper-modern society, in which the progress of science and technology is constantly expanding our knowledge and creating resources that makes living easier and better, it strikes me as odd that we're so afraid of dying - but I would rather say we're also afraid of living.

It seems like a paradox, but in fact it's a matter of cause and effect. We always had the fear of death. Life became easier, we are living longer and we are cheating death better. But that's it, we are only CHEATING death. Death is unavoidable, so it still scares us.

But what is death? Some say death is the end, while others go as far as saying it's the beginning of something new. Some religions and cultures face death as merely the end of a cycle.

I believe death it's all that. Is an end, and hence, it's also the possibility of a new beginning. It's a step towards the unknown.

So why death still scares us so much? Because death represents uncertainty. We're used to grasp to our convictions, to our comfort places, to our routines, to people. We feel we NEED those things in order to live, we feel safe, we feel meaningful. And death has the power of taking away all that.

But nowadays we exist in a chaotic world. Humanity is going through one of its most disturbed, yet wonderful phases it ever faced. We have it all: the good, the bad, the beautiful and the ugly.

I think most people don't think about death on a daily basis. And it's common to hear people say they "are not afraid of death". But that's a lie, know why? You only know fear when you face it. It's easy to be fearless when you "know" (even if it's unconsciously) that your chances of dying are small. Real fear only comes with real danger.

Anyway, that's the literal death I was talking about - the decease of the body. We have built sufficient artifacts and tactics to preserve our physical integrity and that's why "death" it's not a daily, recurring concern to most healthy people.

We're living under an era of dictatorships: of beauty, of happiness, of social status, of money. You have to "be part" of those systems, you have to "belong" to certain groups so people can identify you, you have to be labeled and so we adapt, we learn how to "sell" ourselves - how to behave in order to be seen and treated the way we want. All this pressure put upon us acts like the "pressure" Nature itself exercises over all living beings: only the fittest wins.

Our fear of dying became the fear of failure, the fear of "being nobody" - being nobody is like not existing at all in this world, so it's pretty much like being "dead". And death being both "the end" and "the unknown", we tend to overreact when facing the end of things that are dear to us, the things we're used to, the things we hold on to.

With so many fear of all "deaths" that could happen in our lives, we live in fear and fear life - because the world is so dangerous and you can always get hurt.

But all things must pass. Everything must die, even though everything has its own time. So why deny? Why fight against it? Why blame? Why suffer? Why live in constant fear?

We just have to accept it. Death is part of Life - as life is part of death. Death is what gives life its meaning.

We must let things die. Only then there can be new life.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Dá zero pra ele!

Bom, faz um tempo que não postamos nada aqui. Infelizmente minha inspiração secou. Ando num tédio só e num bloqueio do tamanho da lua.

Achei esse video quando tava vagando perdido pela net no meio do tédio do sono que nunca vem.



Nota: Na falta de coisa melhor, achei que poderia (repito: PODERIA) ser algo interessante - ou que pudesse gerar qualquer conversa/discurso/reflexão/blargh. Na verdade, já mudei de idéia e acho que vai ser um post de bosta, mas como eu tô entediado e faz tempo que não posto nada, vou postar assim mesmo.


Confesso que me deliciei com o que vi. Aliás, se tem um tipo de prazer pra mim que é comparável a ter um orgasmo pulando de pára-quedas e sob efeito de drogas alucinógenas é ver um "babaca" "se f*dendo". Não sei, é um tipo de prazer sádico e irremediável, um sensação quente e confortante de justiça sendo feita, de alguma esperança na humanidade, sei lá...

Aí, sei lá por que, resolvi estimular o lado masoquista, já que o sádico estava tão aflorado e comecei a ler os comentários. Putaqueopariu, não me conformo como tem gente retardada nesse mundo.

Eu particularmente achei que o cara, além de ser um PUTA DUM BABACA pra fazer isso que ele fez deve ser meio retardado mental - talvez tente alegar insanidade em sua defesa. E achei ótimo que prenderam o féla. Mais do que justo. Mas aí vem um ou outro e fala "nossa, mas a polícia foi super errada né, porque, tipo assim, pode prender, dar voz de prisão né, mas não pode apontar a arma né e poxa, os direitos humanos, como que ficam né? isso é abuso de autoridade, né e bla bla bla né? #chaticedocaralhoeterna". Pois é, aí eu mando essa:

Você espertalhão de plantão que julga saber sobre procedimentos policiais, me responda à seguinte pergunta: VOCÊ, se fosse um babaca desses (desculpa, mas é o que esse mané é pra mim), possivelmente drogado, provavelmente embriagado (porra, quem em sã consciência faz um bagulho desses, num lugar desses, a essa hora do dia?) pararia com um simples silvo ou grito de "Pare!"? Acho que não né... o cara é um imbecil e estava representando SIM um perigo iminente. Se você prestar um pouco de atenção, os policiais foram BEM rápidos em interceptá-lo. Provavelmente estavam esperando que ele terminasse o cavalo de pau para poderem se aproximar - pois eles se aproximam logo que ele termina. Se prestar mais atenção, dá pra perceber que ele estava acelerando e provavelmente sairia em arrancada - mas foi interceptado antes, por isso deu uma freada brusca. Perceba ainda que o indivíduo parou no meio das duas faixas, porque assim que arrancou ele JÁ SAIU no meio das duas faixas. Essa anta poderia ter causado acidente em diversas ocasiões - ELE ESTAVA NO MEIO DE UM CRUZAMENTO, não era nem uma rotatória... Então, por favor, não falem merda sobre "procedimento" e "conduta" contra "cidadãos de bem", porque com certeza, naquele momento, esse infeliz não era um MESMO. E notem que TODA a abordagem foi bem correta: não houve uso ou abuso de força e depois que o "elemento" (hahaha) já estava no chão, TODOS os agentes da lei guardaram suas armas no coldre, ninguém ficou apontando e fazendo terror não (talvez porque queriam dar o exemplo certo, né? afinal, era um colégio militar...). Ainda digo mais, reparem que logo que o suspeito acaba de se render e está sendo revistado, a policial parte imediatamente para controlar o tráfego na rua.

Mas se fosse só isso tava bom né? Se fosse só gente julgando a ação dos policias, eu acho que eu nem ia dar muita bola. O pior é que tem gente que apóia e incentiva esse tipo de babaquice. Sinceramente, eu não ligo se você é um bosta inseguro na vida e acha que é melhor ou "mais macho" por dar uma corridinha com seu carro podre "pseudo-tunado" e acha que é muito maneiro porque sabe cantar pneu e participar de "rachas". Na real? Se você for desse tipo, eu espero mesmo é que um dia você seja preso ou que seu carro capote no rio e você morra afogado - e se Deus for realmente generoso, nunca vão encontrar o seu corpo. Mas achar que um mané desses merece qualquer tipo de elogio, ou pior, achar que uma exibição de "malandragem" é algo louvável, eu digo: você é um babaca covarde.

O mais engraçado (ou triste, sei lá) desse tipo de comentário, é que normalmente eles são acompanhados de um "dahora, mas se fosse eu, tinha dado um olé nos coxinhas e vazado"... HUM... Claro, coisa de cabra macho MESMO. Hahahahaha, eu acho engraçado, mas acho que deveria ser algo triste. Um indivíduo assim não pode bater bem da cabeça - ou no mínimo, tem sérios problemas de auto-estima. Acho incrível como nas internet tem gente que A-DO-RA pagar de "malandrão" tb... Aliás, acho que é um mal desse século, os "machões virtuais", inflados de uma "coragem" que não existe e protegidos pelo sigilo do anonimato.  "Se fosse eu, deixava a polícia pra trás", claro, com um tiro nessa sua nuca imprestável! Ah mano, jura mesmo que com uma arma apontada pra SUA CARA, você ia dar uma de gostosão? Ah, vá, falar na net é fácil né!

Até pensei em comentar o seguinte: "Para todo malandrão que deixaria a polícia para trás, sugiro um desafio. Vai lá garotão: cola na frente de uma DP (já que é tão macho, acho que um simples colégio militar é pouco para você), faz uma graça dessa, grava e sobe aí pra gente ver..." Depois desisti, vi que não valia a pena comprar briga com gente que nem sabe escrever direito e que provavelmente me atormentaria com ofensas pessoais, insultos e todo tipo de babaquice de gente covarde e desocupada.

E aí eu me cansei de tudo nesse video e resolvi vir pra cá compartilhar meu desgosto com a vida. E voltei à realidade do mundo. Quanta gente retardada do caralho. Até me dói. Dói tudo: o estômago, os olhos, a mandíbula, a consciência, os humores, e, principalmente, os dedos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Fakebook

OK, a cena é essa:

25 de Novembro de 2011, em um ato de desespero total, eu encerro minha conta do Facebook.
"Por que???" se indagam milhares de pessoas ao redor do globo. Meu Deus, que tragédia!!!

Tá, não foi nem de perto tão dramático ou engraçado assim. Foi meio tosco isso sim. Eu juro que pensei duas vezes. Mentira, foram umas 20. Mas no final das contas, deixei meu lado controlador de castigo e resolvi dar ouvidos ao meu lado impulsivo (coisa que vinha praticando há um par de anos). Afinal de contas, não tinha nada a perder mesmo. Ou tinha?

Vamos ver...
- Uma lista com uns 206 "amigos" (que JURO, só uns 3 devem saber de fato o dia do meu aniversário, ou me deram parabéns no dia certo, apesar de eu não ter colocado no face)
- umas 90 fotos minhas (pra mostrar que eu sou "cool" e descolado, tenho um senso de humor peculiar e era uma graça quando criança)
- umas cento e poucas fotos de amigos em que estou marcado
- 2 ex-namoradas com quem eu mal falo hoje e apesar de gostar muito de ambas (como pessoas e amigas), ainda mantenho aquele relacionamento estranho, esquisito, meio bizarro e um tanto mais distante do que eu gostaria

Pô, pera, é isso mesmo? Toda essa dúvida em deletar o Face, por causa DISSO? É, acho que é isso mesmo. Veja que no fim das contas não foi muito difícil decidir se valia a pena manter essa budega no ar ou não.

Então resolvi tentar. Na verdade, eu já bem sabia que cedo ou tarde eu ia reativar minha conta (porque o Face é tão malandro que ele não apaga imediatamente sua conta, só "congela" ela. E decidi que se não fosse levar isso a sério (de nunca mais ter uma conta no Face), que pelo menos seria um tipo de "experiência".

E o que posso dizer sobre isso tudo?

Bom, meus dias sem Face não foram melhores do que os dias com. Na verdade, foram, mas porque eu resolvi sair mais de casa, ir pra rua, me divertir mais. Esse foi um dos melhores finais de ano que eu tive há tempos, se não o melhor. E o Face não fez diferença nenhuma.

Confesso que nos primeiros dias sem entrar eu fiquei meio inquieto, mas depois do terceiro dia, eu percebi que tenho uma vida de verdade, que não é virtual. E que a vida virtual é uma merda mesmo.

Se tem uma coisa que eu tenho que confessar que senti falta foi de espiar a vida alheia como um maldito voyeur tarado e psicótico. Ah, isso sim é prazer sublime, sádico e silencioso. (Vish...)


Hoje eu acabei, por impulso também, reativando minha conta. Sabe, eu ando instável esses dias. E tive uns sonhos estranhos (MUITO ESTRANHOS) essa noite, e resolvi ver como anda o mundo paralelo das internet. A real é que acabei entrando só pra dar uma de stalker mesmo.

E bom, pra ser bem sincero, foi um misto de prazer com decepção. Quer dizer, na verdade mesmo não aconteceu nada de extraordinário nesse meio tempo que eu fiquei sem logar. Uns cortes novos de cabelo, fotinhos de perfil séczy, e claro, albuns lotados com fotos do Natal, Ano Novo e praia. Exatamente o que eu esperava encontrar.

E aquelas postagens bobas de sempre. E attention whores. E um mar de felicidade pasteurizada e mentiras coloridas. E as bobagens pseudo-intelectuais de sempre. E achar que postar alguma coisa no mural do Face vai mudar o mundo. E as pessoas que sempre vêm com aquele "Que saudade" mas só te procuram no Face (esquecem que você ainda tem casa, telefone, celular, e-mail). E todo mundo que fala "Nossa, você sumiu!"... bom, em relação a isso eu nem comento nada.

De verdade, a única coisa que me pegou desprevinido mesmo, que foi um choque de verdade, foi essa "timeline". Bom, Facebook que é bom te deixa desconfortável e perdido de tempos em tempos. Senti a mesma coisa que eu senti quando tinha acabado de migrar pro Face. Não entendia nada, tudo parecia ilógico e desconexo. Mas aos poucos você vai achando o seu caminho.

E aí começa aquela enxurrada de posts desnecessários e pinturas ardilosas da sua incrível vida medíocre que parece um filme da sessão da tarde.

É, nada mudou. Vou continuar sem olhar na cara dos meus 200 "amigos". Porque tem uma meia dúzia que eu ainda consigo ver pessoalmente.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Sobre bandas, $$ e egos

Do site Forme sua Banda, eu tiro algumas observações interessantes:

  • Muitos músicos são da periferia; entrei em contato com músicos de bairros que eu nem sabia que existia...
  • Muitos músicos pulando de banda em banda; são praticamente "mercenários" (e esse termo é bastante usado no meio), entram nas bandas quando precisam de dinheiro, e saem quando se enchem.
  • Tudo que você ouve falar sobre vocalistas é verdade; não precisa vir com mente aberta e falar, "não, esse negócio de ego é coisa do passado, hoje as pessoas já têm mais noção...". Nada disso. O povo já entra nas bandas com a intenção claramente colocada de ser "a cara da banda", o líder, o centro das atenções. E acha normal.
  • Muito vocalista que fica fazendo gemidinho, vibratinho e vozinha fina em tudo e acha bonito; ah, se eu pego o cara que começou com essa moda...
  • Muito músico de igreja;
  • Muito cara com vídeo porco no Youtube achando que tá arrasando;
  • A esmagadora maioria no site é metaleiro ou rock clássico;
  • Em seguida vêm os pagodeiros e os emocore-iros
  • Alguns poucos de Indie Rock
  • Alguns poucos de MPB
  • Alguns caras que dizem que querem tocar blues mas querem mesmo é tocar rock clássico
  • Alguns caras que dizem querer tocar jazz mas querem mesmo é tocar MPB
Enfim, vai ser difícil montar uma banda - banda no sentido original da palavra, não um vocalista comandando instrumentistas - para tocar Jazz, Blues e MPB - nessa ordem de prioridade...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

The fountainhead


All men are corrupt, anyone can be bought (...)

There is no honest way to deal with people
We have no choice except to submit or to rule them
I choose to rule. (Gail Wynand)


A building must have integrity, just like a man (...)
It must be true to its own idea, have its own form, serve its purpose
(Howard Roark)


Why don't you laugh at me now, you won.
I've no pride left to stop me.
I love you without dignity, without regret.
(Dominique Francon)


They hate you for the greatness of your achievement.
They hate you for your integrity.
They hate you because they know they can neither corrupt you nor rule you.
They will destroy you.
(Dominique Francon)


You must learn not to be afraid of the world, not to take any notice of it.
(...) They won't destroy me.
(Howard Roark)



To get things done, you must love the doing, not the people.
(...) My reward, my purpose, my life is the work itself.
My work done my way. Nothing else matters to me.
(...) You'll get everything that society can give you...
Take the money, the fame and the gratitude...
And I'll get something that nobody can give a man except himself.
(Howard Roark)


(phrases from the movie "The Fountainhead", based on homonimous novel by Ayn Rand)
(Esse filme é muito BOM!!!!)

domingo, 4 de setembro de 2011

Tá na hora de chutar o balde! #1

Sinceramente, eu não sei por que estou fazendo isso.

O que eu vou falar aqui não é nada de novo. E o papel de jovem indignado já é muito bem interpretado por outros por aí.

Mas... sinto que se eu não extravasar toda a raiva que consome meu coraçãozinho, eu vou me tornar uma pessoa mais amarga do que já sou e provavelmente terei problemas sérios de saúde logo em breve.

Então começo hoje a série "Tá na hora de chutar o balde!". Vou descer o pau. E pronto. E que se foda essa merda.

Chutando o balde #1: A porra da merda da "vida social" na internet
(a.k.a.  Talvez seja bom pensar o que o Facebook está fazendo pela sua vida, quando:)

1 - Você liga o computador para acessar o Facebook. Ou, se você é mais moderninho e tem mais recursos, você carrega o Facebook no bolso. Se você é dos que carrega no bolso, não consegue manter no bolso né? Fica checando essa porra do meio do rolê. Não tem nada para fazer? Entra no Face...

2 - Você entra na internet para checar o FB. Ou é o primeiro site em que você entra... Já abre a página do Face esperando ver as notificações em vermelho no canto superior esquerdo da página... e espera ver muitas.

3 - Você sente uma necessidade tremenda de ver "o que está acontecendo" por aí. Mesmo que não esteja acontecendo nada. Há mais de três horas. E você passou essas três horas vagando pelo FB, esperando alguma coisa acontecer. Se nada acontece, você posta qualquer merda.

4 - Você se preocupa mais com o que vão dizer sobre você em algum post, comentário em foto, ou resposta de um quiz babaca do que a opinião de seus amigos de longa data e familiares.

5 - Você acha que alguém vai se interessar por você se você colocar uma foto de perfil mais atraente. Ou encher a sua página com referências de autores (principalmente se forem filósofos, poetas e outros pensadores... e comunistas também, claro). Ou de bandas bem legais e alternativas (ou de "compositores poetas"). Quanto mais estranho/alternativo/nuncaouvifalarnavida forem suas referências, melhor...

6 - Você come em 20 minutos para ter 40 minutos a mais no chat do face. E toma banho em metade do tempo, para poder ter mais tempo no Face. Isso se você ainda toma banho ou já não passou a comer na frente do computador...

7 - Você passa boa parte do seu dia pensando em ou caçando algo curioso/divertido/engraçado/bizarro/escroto para postar no Face. Para receber um monte de comentários e inflar seu ego, claro.


8 - Você não tem coragem de lidar com as coisas cara a cara e fica mandando várias "indiretas" no seu mural. [Essa aqui para mim é o Ó do borogodó!]

9 - Você sente a necessidade extrema de mostrar o quanto você está feliz ou "curtindo" algo. A ponto de se preocupar mais em parecer feliz e receber atenção do que aproveitar de fato o que você está fazendo - ou curtir plenamente o que é que era para ser curtido. A ponto de valorizar mais a bajulação dos outros do que a sua felicidade de verdade.

10 - No oposto do exemplo de cima, você também sente a necessidade urgente de dizer o quanto você está tristinho, revoltado ou  chateado com algo/alguém. E claro, você quer atenção dos amiguinhos, né, seu zé coitado?

11 - Uma variante dos dois exemplos anteriores, mas também pode ser considerado um hábito à parte: você tem a necessidade de contar pro mundo cada coisinha que você faz ou que acontece na sua vida. Foda-se o que você acabou de comer, foda-se o que você quer comer, foda-se o que você vai comer! Você acha realmente que eu quero saber? E deixa eu te contar, em São Paulo sempre tem trânsito, SEU IMBECIL! Ah, tá fazendo um frio do caralho né? EU TO SENTIDO, porra. Você teve um porre do caralho ontem? Parabéns campeão! Tá doente? Fica longe de mim porra! Putz, você derramou seu cereal em cima do seu cachorro? Você é um jumento! Seu gato mijou no teu teclado? AZAR O TEU!

12 - Você tira fotos "pra postar no Face". Não porque elas representam um momento legal, ou porque você quer se lembrar dele. Não, você tirou a porra da foto para todos comentarem nela.

13 - Você fica acordado de madrugada quando tem que ir dormir, só pra ver se alguém comenta algo naquele seu post. Ou então abre o Facebook de 5 em 5 minutos no trabalho, pra ver se alguém comentou no caralho do teu post. Ou na aula... ou pára no meio da foda. Ou da final da Copa... pensando bem, no final da Copa não, porque todo mundo vai estar assistindo (a menos que seu post tenha sido por Mobile e seja sobre algo do jogo... mas nesse caso, meu amigo, você é um babaca!).

14 - Pra finalizar: você posta qualquer bosta, só para ter o que postar mesmo.

É isso. E não encham o meu saco com essas babaquices.

* Bonus!!!
15 - Você cria um post revoltado em um blog porque essa merda de Facebook tá começando a dominar a sua vida, embora esse caralho seja completamente inútil e irrelevante para a sua existência. Mas você não consegue se livrar dessa droga...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pensamento do dia - Motivação


Quando se fala em motivação, é comum pensar no âmbito profissional. Mas a motivação se aplica a todos os aspectos da vida. Em Psicologia diz-se que a motivação é o impulso ou estímulo que direciona os esforços e movimento de um organismo a um objetivo (resumo e explicação porcos e simplórios de minha parte).

Então o que me motiva? O que me faz querer acordar de manhã, levantar e ir trabalhar? Ainda não tenho uma vida de responsabilidades plenas, não tenho que sustentar uma família inteira, não tenho pessoas dependendo de mim. Mas quando vejo as pessoas que carregam este tipo de fardo nas costas, muitas delas sem sequer reclamar, eu penso o quanto às vezes lidamos com injustificada ingratidão com nossos “problemas”, e como queremos sempre as coisas de maneira imediata, com o menor ou nenhum esforço.

Quando vejo uma pessoa que trabalha como empregada doméstica para ganhar pouco mais de um salário mínimo e com ele sustentar uma família inteira, e ainda ser capaz de amar e educar corretamente seus filhos no pouco tempo que lhe sobra, eu penso em como nos acostumamos a ser acomodados.

Quando vejo alguém de minha idade que dorme menos de 5 horas por dia, pois tem que trabalhar para poder pagar a faculdade, lembro como o ser humano possui um potencial incrível para superar qualquer adversidade se o desejo que carrega em seu peito for real.

No fim, o que me importa não é fortuna, prestígio ou sucesso profissional. Claro são importantes e fazem bem ao nosso ego, mas não são essenciais. Na verdade, se seguirmos a ordem lógica das coisas, isso tudo é resultdo, é consequência. Consequência de um trabalho bem feito, consequência de uma vida cheia de desejo, convicção e perseverança .

O que me motiva então? Viver sem deixar que meus medos me paralisem, sabendo que enfrentarei dificuldades, mas com a certeza de que se eu me empenhar e buscar meus sonhos, eu mesmo os farei reais. Me motiva ver a coragem dos outros, para que eu encontre a minha própria, me motiva ver o sucesso dos outros, para que eu deseje e desenhe o meu. Me motiva saber que embora deva fazer as coisas por minha própria conta e risco, não estou sozinho.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pensamentos


Vida sonífera


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O mundo será completamente dominado pelas pessoas que falam muito e fazem pouco. É o fim da civilização ocidental.
Olhando por cima, os governos estão completamente sufocados pelas próprias leis e processos burocráticos. Olhando por baixo, os jovens estão cada vez mais desconectados dos motivos que levaram nossa sociedade a se organizar do jeito que se organizou. Idéias perigosas surgem na cabeça daqueles que só conhecem a abundância. Idéias como limpeza racial, defesa do vandalismo e até de guerra voltam a surgir conforme as guerras, as crises e os genocídios somem da memória das pessoas. Ninguém sabe o que é ter fome, ter sede, nem o que é perder pessoas amadas pela força da incompetência e da crueldade dos homens sem valores. A comida perdeu valor, a família perdeu valor. O valor se desloca das coisas que nos mantém vivos e sonhando na dificuldade, cada vez mais para se encontrar no ego e no prazer. O valor está em aparecer, no afago do ego. O valor está em ter o que os outros não têm, saber que causou inveja.


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Já ouviu falar em honra ao mérito? Em fazer por merecer? Pois é, vivemos na sociedade da honra ao fútil. Do não fazer mas merecer mesmo assim.




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Quando foi que o carro em que andamos tornou-se mais importante que a comida que comemos?
Quando foi que a atitude, a pose e a aparência dos músicos tornaram-se mais importantes que as notas das músicas que eles cantam?



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Não perca seu tempo reclamando da vida. Ela não vai ficar com dó de você.

(essa frase vai meio como um mea culpa dos textos anteriores. Eu sei que eu ando muito chato ultimamente...)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

600 Mb é bastante coisa

O último CD que comprei foi a 2 semanas, achei em promoção por 19,90 no Submarino e comprei sem pensar 2 vezes...
Faz tempo tenho essa de comprar pelo menos um CD de alguma banda que goste, mas aí começo a contar as bandas e os CDs e me desanima... Fora que tem várias bandas desconhecidas que eu ia ter que mandar importar a salgados dólares... E também que os últimos CDs que eu comprei eu acabei descobrindo que eu só gostava de umas 2 músicas e nem ouvi mais.
Num último argumento a favor das bandas, decidi que devia comprar álbuns que eu já tinha ouvido bastante, mesmo que não fosse ouvir mais, como forma de pagar o benefício passado. Mas aí pensei nas prateleiras e prateleiras que ia ter que usar para guardar tanto CD que eu não ia mais ouvir, no pó que ia juntar... Pensei então em comprar o disco digital na Internet. Mas aí não ia ter graça, eu não ia ter o encarte, não ia ter as fotos... Enfim, eu nunca me decido... Mas já é um passo eu ter comprado esse CD!
Outra coisa que fiz foi não me segurar na hora ir em shows e comprar lembranças... comprei uma camiseta do Iron por salgados 70 R$ no último show, e gostei bastante dela...

...

Esse CD em promoção que comprei me deu uma experiência interessante... Com os downloads de músicas tão fáceis, o ato de ouvir música virou meio que um ato de pesquisa, mais do que um momento de prazer. Eu fico ávido por conhecer novas bandas, por conhecer um som diferente, um som que expresse alguma idéia ou sensação que eu não consigo traduzir de outra forma, que eu não entenda muito bem, alguma batida diferente, algum uso criativo de instrumentos... E como nunca estou satisfeito, acabo nunca parando para curtir um álbum com calma.
Pois bem. Meu mini-system (aqueles aparelhos gigantes que a gente achava legal porque tinha uns detalhes cromados e rodava 3 discos dentro e que você trocava de um pra outro apertando uns botões) tem uns 8 anos de idade e não funciona mais. Estava com preguiça de ligar o computador, então resgatei nada mais nada menos que um disc-man!


Então fui lá, tirei a poeira do bicho, sentei na cadeira, peguei o encarte e fiquei lá ouvindo faixa a faixa acompanhando as letras com o encarte. As músicas nem eram daquelas sensacionais que eu digo "nossa, que achado!", até já enjoei da maioria, mas na hora senti que desenvolvi outro tipo de conexão com elas. Trata-se de uma disposição a ficar 40 minutos sem fazer nada além de ouvir e entender aquelas músicas que impõe mesmo um ritmo mais lento, uma forma diferente de ouvir música, um relacionamento mais íntimo ouvinte-artista.

Claro que tive a sorte do CD ser bom. Se fosse uma porcaria, não estaria escrevendo isso. Tem sempre o risco de comprar o álbum e não gostar. Por isso a proposta de comprar só CDs que você já sabe que gosta. Mas aí você não tem a experiência de descoberta que eu tive, e o CD vai direto pro armário... Enfim, não sei.  Compre produtos das bandas que você gosta, vá aos shows, compre CDs, divulgue o trabalho delas. E acho que a conclusão mais diferente do post: valorize e reconheça o fato de que há maneiras diferentes de apreciar música que não baixando gigas e gigas dentro do seu Ipod sem nem ouvir metade. O que não quer dizer que você não deva pesquisar bandas e ter músicas no HD que você não ouve porque não gostou e não deletou ainda.

...

Ah, o CD que eu comprei foi o Begin to Hope, da Regina Spektor.

sábado, 11 de junho de 2011

O paradoxo do consumo de lazer, entretenimento e cultura

Seja sincero: qual foi a última vez que você comprou um CD de música original?

Quantas músicas ou gigabytes em arquivos de música você tem no seu computador?

Você costuma pagar de R$30,00 a R$50,00 reais em um DVD original ou opta por pagar R$2,00 a R$3,00 em um "paralelo"?

E mesmo assim reclamamos do preço das entradas de cinema e teatro, dos ingressos de shows, etc...

Mas será que tudo isso é injustificado?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

(para descontrair) Falta de tempo!

Você, como toda pessoa normal que vive essa vida maluca nesse país sem vergonha, nessa sociedade capitalista pós-moderna (prefiro o termo hipermoderna, mas isso não vem ao caso), provavelmente já se queixou da falta de tempo. Já desejou ter mais tempo hábil para fazer as coisas? Eu não sou vidente, mas acho que sim!

Entre correr de um lado para o outro entre compromissos - enfrentando o trânsito, CLARO - pegar filas e mais filas em todos os lugares, não achar vaga nem na rua nem em estacionamento, você se pergunta porque o dia não tem mais horas?

Você acha que se engolir rápido as refeições vai ter mais tempo de assistir televisão ou gastar suas preciosas horas livres vadiando no facebook e twitter conferindo os mais recentes eventos e acontecimentos pelas redes sociais.

Você até que gostaria que sua atividade favorita fosse remunerada, mas ela ainda é considerada um hobby. Então você perde muito tempo do seu dia "trabalhando" e ainda tem que gastar mais tempo ainda para ficar  postando sobre aquele sorvete que acabou de tomar, contando sobre o ônibus que perdeu, comentando sobre a chuva ou os incríveis ventos de terça-feira que só você presenciou.

Você passa horas em casa com preguiça de fazer suas tarefas e isso consome tanto do seu tempo que você nunca está disponível para sair com os amigos. Você adianta o seu relógio em, sei lá, 5 ou 10 minutos para não se atrasar, mas sempre acontece "alguma coisa" que faz com que você só saia de casa pelo menos uma meia hora DEPOIS do horário marcado para qualquer compromisso - e isso pelo horário correto.

Mesmo com todos os seus esforços, parece que o relógio sempre vence, não é mesmo? E você nunca consegue fazer tudo o que quer ou tudo o que PRECISA fazer. Alguma vez, já parou para pensar qual a causa disso?

Depois de muita pesquisa e investigação nesse campo, eu já estava ficando sem esperanças e quase me rendendo à idéia de que esse é um fenômeno inexplicável de origem desconhecida. Mas hoje eu tive um insight e fui conferir. Conferi uma, duas, dez vezes. Mudei as variáveis e conferi de novo.

Finalmente descobri QUEM (ou no caso, "o que" mais especificamente falando) está roubando o seu (meu, nosso) tempo! É o YouTube! Pã pã pããããã...

Aí o manolo pensa: "O que será que ele quer dizer com isso? Que eu gasto tempo demais vendo coisas inúteis no YouTube? Mas eu não vejo coisas inúteis, só gatos fofos, cachorros fofo, crianças fofas, piadas ruins, compilações de video-cassetadas, pessoas toscas que fazem todo tipo de coisa tosca... Só vejo as coisas interessantes!"

Mas não, não é isso - apesar de quem sabe talvez, só talvez, parar de ficar o dia inteiro na frente do computador seja uma boa idéia. O que eu descobri é mais assustador! O YT literalmente SOME com o tempo. Vá em qualquer vídeo e preste MUITA atenção no timer do video. O PENÚLTIMO segundo de qualquer video é simplesmente inexistente. Não acredita em mim? Faça o teste... abra um vídeo de qualquer duração, deixe ele carregar até o final e assista... quando estiver chegando ao fim, fique atento ao contador e verá que ele não marca o penúltimo segundo!

Já pensou quantos videos você viu no YT? Já pensou quantos segundos perdeu na sua vida inteira por causa do YouTube? Pois é, é bom pensar.

Agora eu tô pensando o que vou fazer com essa descoberta. Acho que vou levar para alguns jornais e tentar fazer um estardalhaço, as pessoas precisam se conscientizar! Penso até em entrar com uma ação contra o Google.

Será que eu ganho um Nobel com essa descoberta?

Eu não vou ver Strokes em novembro

Ontem os ingressos para o Planeta Terra se esgotaram em menos de 14 horas, segundo o site oficial do evento – e vários sites andaram reproduzindo a notícia em tom de alarde. Quanto tempo exatamente levou pouco importa, pois já não há um ingresso vendável para ver Strokes tocando no Playcenter dia 5 de novembro.

Esse fato me deixou chateado, porque eu até prentendia ir no Planeta Terra desse ano - ano retrasado não fui por pura burrice/preguiça e ano passado porque eu estava no meio do meu “retiro sabático/jornada espiritual” em Piçarras.

Meu colega de banda já havia dito há algumas semanas que iria comprar os ingressos sem falta ontem pois não queria correr o risco de ficar sem. Ainda não falei com ele para saber se ele logrou ou não, mas achei, na época, que ele estava sendo um pouco precipitado e neurótico. Ano passado os ingressos esgotaram bem antes da data do evento, mas rodaram aí pelo menos uns 2 meses sendo vendidos – lembro quando o quarto e último lote esgotou e eu me senti a pessoa mais burra do mundo por não ter comprado antes, porque tive várias oportunidades. No final das contas, pra mim acabou sendo indiferente porque eu já nem estava por aqui, mas a questão não é essa.

Não é a primeira vez que isso acontece, então eu não me espantei. O problema é que eu acho odioso todos os perrengues pelos quais temos que passar para poder se divertir por essas terras tupiniquins. Lazer, cultura e entretenimento (com alguma qualidade) ainda são privilégios da classe-média e média-alta (classes mais elevadas não têm esse tipo de preocupação, elas têm acesso ao que quiserem, aqui ou lá fora). Mesmo assim, ainda é custoso demais poder apreciar essas coisas, até para quem tem condições para isso.

Digo custoso porque não estou falando somente de dinheiro. Estou falando de nos submetermos (conscientes ou não) a vários tipos de abusos morais para poder usufruir destes momentos de lazer. Desde os preços exorbitantes (de TUDO, não apenas dos ingressos), até ter que lidar com cambistas safados, ter dificuldades de locomoção e acesso, se preocupar com segurança, ter de pagar (caro) por tudo e ter produtos e serviços cuja qualidade não condiz com o valor pago. Gastamos muito para poder “curtir”. Perdemos horas em filas, na frente do computador, no telefone; o stress que passamos e o trabalho que temos é desproporcional aos valores monetário e temporal da diversão. É tudo muito ridículo e parece que estão sempre a rir das nossas caras enquanto lucram com isso.

Eu já me cansei dessa situação e por isso resolvi fazer uma análise mais profunda sobre esse assunto. Como é um tema amplo e que envolve muitas coisas mesmo, eu vou postar minhas análises e opiniões em partes, cada uma sobre um ponto ou aspecto mais específico. Então esse vai ser o primeiro tema recorrente do blog: as garras da “indústria de entretenimento”.

Já estou preparando o primeiro texto e pretendo postar na sexta-feira.

Por ora, é isso.

Abraços,
Gab

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sim, mais um

Obrigado Gabs, primeiro por ler meu blog, e principalmente por gostar dele. Fico feliz de verdade que ele tenha te inspirado! E também por esse novo blog, por acreditar que juntos podemos produzir coisas boas.

Vou dar minha primeira contribuição com um pouco sobre pensar, escrever e compartilhar idéias:

Essa coisa de pensar, realmente cada vez mais acredito que é importante saber estruturar suas idéias com começo, meio e fim, e de maneira capaz de convencer seus leitores.

Tive uma época de devaneios, de pensamentos lá longe, sem contorno, sem estrutura e com alta carga intuitiva. Pensamentos difíceis de traduzir e de expor em palavras e que são, por consequencia, pensamentos que só ficam presos dentro de mim, e que nunca posso compartilhar.

Por mais que esses pensamentos um dia tenham feito sentido para mim, é preciso reconhecer que vivo em sociedade, e que nesse contexto uma idéia que não pode ser compartilhada nem compreendida por terceiros não tem valor senão para retro-alimentar um mundo em que só minhas idéias têm voz. Um mundo isolado, em que as idéias apenas são refraseadas e reafirmadas, com frequencia de renovação baixa demais para ser considerado saudável.

Por isso não é a toa que meu blog ultimamente tenha tido mais conteúdo dissertativo, mais pequenas histórias, mais opiniões concretas sobre assuntos mais próximos da realidade. E também não é a toa que eu tenha escrito lá com frequencia, porque tenho tantos pensamentos dentro de mim que sinto que consigo traduzir cada vez melhor; sinto que consigo achar cada vez mais pensamentos próximos da vida em sociedade, cada vez mais pensamentos agradáveis para mais gente. Tudo isso porque entendo que compartilhar é renovar. As idéias têm que circular, assim como a água e o ar circulam pelo mundo. É com isso que espero contribuir neste blog!

Antonio

sagaz e mordaz... mais um blog?

Esses dias eu estava lendo e relendo umas coisas que postei no delícias do gab e também lendo alguns blogs de amigos, particularmente de um grande amigo meu, o Antonio e notei que ele também anda postando coisas no blog dele com alguma frequência.

Eu tenho o meu blog pessoal já faz algum tempo (8 anos para ser exato) e ele já passou por tantas mudanças (de provedor, de endereço, de nome, de conteúdo). Hoje ele meio que serve para eu postar minha parca produção literária digna de um pseudo-aspirante a poeta. E eventualmente eu conto algum caso ou desabafo.

Já me disseram antes para eu começar a escrever sobre temas específicos em vez de apenas publicar poemas ou coisa parecida. Para ser bem sincero, acho que faz muito tempo que eu não escrevo uma dissertação ou algo do gênero. Nem ensaios, contos ou coisa parecida.

E vendo os posts do Antonio, me animei a finalmente montar um blog com essa característica: escrever sobre alguma coisa mais "concreta", com começo, meio e fim, expondo um ponto de vista, defendendo uma opinião - ou propondo uma reflexão.

Como fui inspirado por ele, resolvi chamá-lo para colaborar com o blog e postar aqui também. A princípio não há nada definido quanto à frequência das postagens, quem posta o quê, etc, mas essas coisas vão se arranjando.

Eu escolhi esse nome porque gosto de pensar e consequentemente, de fazer as pessoas pensarem. Gosto de humor ácido e ao mesmo tempo perspicaz - sutil ou não. Não gosto de piada pronta ou texto mastigado. Gosto do exercício de observar, analisar, abstrair. Minha intenção é que os textos publicados aqui possam instigar a curiosidade de quem lê, mostrar uma outra perspectiva, incentivar a reflexão - ou simplesmente entreter por alguns minutos ou horas.

Ainda essa semana eu vou postar o primeiro texto e dar mais detalhes de como vai funcionar aqui. Aguardem.

Abraços a todos,
Gab